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Conselho Estadual de Cultura

20/09/2017 15:00

Festa de comemoração de 50 anos do CEC enalteceu luta em defesa da Cultura

Mesa diretora da solenidade de 50 anos do CEC

                                                               Mesa diretora da solenidade de 50 anos do CEC                                                            

A tarde ensolarada da quarta-feira, 13, acolheu a todos que comemoravam os 50 anos de existência do Conselho de Cultura da Bahia no Palácio Rio Branco em Salvador. Um ambiente descontraído, marcado por intervenções artísticas e uma roda de conversa divertida e enriquecedora, deu a tônica do encontro.

Com a presença de diversas personalidades do universo cultural baiano manifestando sua arte ou prestigiando o evento, a festa começou com a apresentação artística de Mestre Brás liderando a Chegança de Mouros de Taperoá, na abertura da sessão especial de celebração. 

Chegança dos Mouros de Taperoá"Foi o maior prazer a nossa apresentação na cidade de Salvador. Era o nosso maior desejo. Fomos convidados pelo Conselho neste seu cinquentenário e tudo deu certo", declarou o Mestre Brás. 

Por iniciativa da Sra Isa de Oliveira, presidente da Comissão de Representação da "Chegança de Taperoá", a revitalização do bem cultural aconteceu em 2007. Com o apoio do Fundo de Cultura do Estado, a manifestação cultural que existe desde 1764 passou por longo período de desativação, entre 1972 e 2007. A atual presidente da manifestação cultural trabalhou no Conselho Estadual de Cultura da Bahia durante 30 anos e foi personagem fundamental para o reconhecimento  do bem cultural como agente transformador da sociedade.

"Participar da Chegança é importante para os jovens, pois é uma alternativa ao caminho das drogas",  desabafou João Paulo ,15, integrante da Chegança.

Logo em seguida, a mesa da sessão foi aberta e conduzida por Emílio Tapioca e Ana Vaneska de Almeida, presidente e vice-presidente do CEC respectivamente, junto ao professor e ex-secretário de Cultura da Bahia, Albino Rubim, e do ex-conselheiro estadual de cultura Pasqualino Magnavita.

Daí em diante, o microfone esteve aberto quando se manifestaram integrantes da rede de Bibliotecas Comunitárias de Salvador, a ex-conselheira de cultura Kleyde Mendes Lopes, o poeta e conselheiro licenciado, Jorge Baptista Carrano. Recitaram versos o cordelista e conselheiro Carlos Silva, a poetisa Ametista Nunes e o poeta Douglas de Almeida, integrantes do grupo Poetas na Praça.

A vice-presidente do CEC, agente e produtora cultural, Ana Vaneska de Almeida, disse que a desconstrução do ambiente formal foi planejada para o encontro.

"Precisávamos trazer para o centro da solenidade de 50 anos do CEC os protagonistas das belezas que a cultura nos proporciona. Como arte-educadora, a presença das crianças, juntamente com os pensadores e gestores das políticas públicas de cultura da Bahia e dos artistas e artesãos de diferentes territórios de identidade cultural, nesta sessão solene, reflete o movimento no sentido de garantir nas ações do conselho a representação da diversidade cultural defendida pelo Sistema de Cultura da Bahia", assinalou Vaneska.

Para Tata Anselmo, líder do terreiro Mokambo, a festa revelou a aproximação do CEC com a população. "A relação do Conselho com as pessoas está mais madura, inspira confiança. Sem perder a leveza, há uma seriedade que salta aos olhos. O Conselho está mais próximo e trabalhando em prol das diversas manifestações com afinco. Como posso descrever o que senti com a Chegança dos Mouros de Taperoá? Desejo do fundo de minha alma que os que estão hoje na direção do Conselho possam deixar como marca o maravilhoso trabalho que estão desenvolvendo. Ndandalunda abençoe e proteja a todos, dando dignidade e respeito à nossa Cultura. Vida longa ao Conselho e a seus conselheiros", saudou Anselmo.

Para Maria Clara, 10 anos, estudante da Escola Laboratório Subúrbio II (Escolab), a festa foi encantadora e participativa. "Eu vi com meus próprios olhos as atividades que fizemos com a argila, nossos desenhos, termos aprendido a fazer pipas. Também gostei de visitar este Palácio, tão bonito, com esta luz, é a primeira vez que venho aqui", disse Clara.

A estudante prestigiou e participou da festa como parte do grupo de alunos da Escolab, uma escola pública municipal voltada para o trabalho com novas tecnologias e inovação que não deixa de lado a experimentação artística e cultural, bem como as vivências corporais e prima pela valorização e vivências do que é próprio da cultura do subúrbio de Salvador, onde vivem seus alunos. 

Acompanhados pelo diretor Uilton Vieira, professores e funcionários, os alunos fizeram ainda a demonstração de uma aula de confecção de arraias como resultado de uma metodologia de atividade desenvolvida pela professora Alda de Jesus para o projeto "Ao Gosto da Cultura". Foi no âmbito deste projeto que também foram elaboradas as pinturas, gravuras e esculturas em argila que estiveram expostas no Palácio. Após o término da oficina de arraias, os papagaios de papel subiram ao céu desde a sacada, colorindo, divertindo e encantando o todos os presentes.

Já o ex-secretário de cultura da Bahia, Albino Rubim, fez um alerta para a defesa dos avanços da política pública cultural baiana nos últimos anos. "Esta festa retrata o momento de transformação em que vivemos, e que está ameaçado novamente pelo retorno da casa grande ao poder. Estou falando do desmonte do MinC e das rupturas de programas culturais pelo atual Governo Federal", afirmou Albino Rubim.

Os desdobramentos da aplicação da Lei Orgânica da Cultura da Bahia garantindo uma gestão democrática das políticas públicas de cultura do Estado; a luta pelo fortalecimento do Sistema Estadual de Cultura diante das circunstâncias políticas do país, foram outros pontos assinalados pelo ex-secretário.

A intervenção do arquiteto, ex-conselheiro e fundador do Mirante do Solar/Casa de Cultura e Ética na ilha de Itaparica, Pasqualino Magnavita, foi no sentido de destacar a importância do aprimoramento da administração dos recursos destinados à cultura.

"É preciso que pensemos a cultura para a transformação social que todos queremos, é preciso que incentivemos as produções culturais na Bahia, e é preciso que elas alcancem a todos", afirmou Magnavita.

A pedido dos mestres e mestras de Cultura de saber e fazer (rendeiras, mestres de cheganças e de samba de rodas, entre outros) foi lançada durante a plenária comemorativa, a proposta de construção de uma moção em solidariedade às manifestações culturais que necessitam ser salvaguardadas e que já têm processo aberto no Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), com o objetivo de demandar celeridade do órgão na apreciação dos processos, assim como presteza na sanção dos casos deferidos.

A Secretária de Cultura e Igualdade Racial de Paratinga, Jaysa Greising, esteve no evento. "Ao assistir a Chegança de Mouros de Taperoá foi inspirado o desejo de trazer também a Marujada de Paratinga para Salvador", revelou a secretária.

15 fotografias de Tuninho Borges estiveram expostas no Salão Nobre do Palácio durante a solenidade. Da Cor, de Fé e de pé é o nome da exposição que retrata a religião afro-brasileira em festas populares. "A partir dos detalhes, registro a alegria e a fé em festas como A festa de Omolú em São Lázaro; A festa de Yemanjá no Rio Vermelho; e a festa de Oxalá na Basílica do Sr do Bonfim", explicou o fotógrafo.

Maria do Carmo, rendeira de bilro em Saubara, foi uma das artesãs que estiveram presentes na festa. Nilo Trindade, ex-conselheiro de cultura e nativo de Saubara explicou a importância da preservação do fazer cultural das rendeiras de bilro. “Existe um grupo de rendeiras em Saubara que trabalha com crianças e adolescentes no ensino desse ofício que culturalmente é transmitido através de gerações. A cultura popular da renda de bilro é uma das riquezas culturais do município, e a presença das rendeiras na festa do Conselho representa a luta dessas mulheres na preservação do saber popular”, refletiu Trindade.

Prestigiaram o evento Mestre Deco da Zabiapunga; Araken Vaz Galvão, ex-presidente do CEC; Nelson Pretto, Alva Célia, Paulo Ormindo, José Araripe, Tuzé de Abreu, ex-conselheiros; Rômulo Cravo, chefe de gabinete da Secretaria de Cultura da Bahia.

Também participaram da celebração Laura Santiago, representando a Biblioteca Anísio Teixeira; Rosildo Rosário, representando a Chegança de Saubara; a deputada estadual Fabíola Mansur, presidente da comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa da Bahia; Fábio Costa Pinto, representando a Associação Brasileira de Imprensa; o secretário de Cultura e Turismo do município de Madre de Deus, Djalma Thurler; o secretário de Cultura de Bom Jesus da Lapa, Carlos Fabiano Teixeira; o presidente do Conselho Municipal de Catu, Matheus Dantas; Marcello Chamusca, presidente da Associação Latino-Americana de Relações Públicas; Graça Brito, representante do Fórum de Cultura da Bahia; representantes da Bahiatursa, entre outros convidados.

Devido a compromissos assumidos anteriormente, o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, o deputado estadual Bira Corôa, e os ex-conselheiros Naomar Monteiro, Washington Queiroz, Luiz Henrique Dias Tavares, Mário Cravo Júnior e Lia Robatto não puderam comparecer à cerimônia, mas enviaram mensagens parabenizando o Conselho o pelo seu cinquentenário. 


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