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Conselho Estadual de Cultura

15/03/2018 09:10

Albino Rubim e Juca Ferreira abrem atividades do CEC no Fórum Social Mundial

A agenda de atividades lideradas pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC) no âmbito de sua composição no Comitê de Políticas Culturais dentro do Fórum Social Mundial teve início na manhã desta quarta-feira, 14, no Museu de Arte da Bahia (MAB). 

Com a presença do  ex-ministro da cultura do Brasil e atual secretário de cultura de Belo Horizonte, Juca Ferreira, e do pesquisador em cultura e sociedade da Universidade Federal da Bahia e ex-secretário de cultura da Bahia, Albino Rubim, foi tratado e debatido com o público presente o tema: “Análise de conjuntura da situação do Brasil à luz das políticas públicas de cultura”. A mesa contou com a mediação do presidente do CEC, Emílio Tapioca.

As discussões se concentraram nos acontecimentos e repercussões do processo qualificado pelos debatedores como "golpe midiático jurídico parlamentar” que destituiu a ex-presidente Dilma Rosseuff em 2016.

Para Albino Rubim, o sucedido é uma demonstração inequívoca de que as “classes dominantes não têm e nunca terão compromisso com os valores democráticos no Brasil”.

“Considero a conjuntura que vivemos como de estado de exceção e ainda assim, não  vejo razões apenas para pessimismo. Há forte rejeição da população a este governo que aí está instalado e sua agenda. A parte mais expressiva da cultura no país já se colocou contra o golpe. Os valores democráticos no país estão enraizados nos campo cultural. A manutenção do Ministério da Cultura, graças a mobilização desencadeada contra sua extinção é prova disso. O ano de 2018 é uma ano aberto, de luta, não decidido, cabe ampliar os círculos dos que que defendem a democracia no país”, disse Rubim.

Para Juca Ferreira, o país não tem uma cultura democrática fortalecida e poderá ver desmoronar, numa espécie de fenômeno cíclico em sua história, os pequenos mais importantes avanços desta cultura nos últimos 30 anos. 

“Como falar em democracia aqui quando se conhece a realidade do extermínio de negros na periferia. Nossa democracia é precária. Só a partir do governo de um operário associou desenvolvimento econômico à redução da desigualdade, à valorização do povo brasileiro e a incorporação de direitos sociais. Precisamos de um plano para retomar a democracia do Brasil, vivemos um momento difícil, mas podemos ainda ter saudades de hoje. Caso este processo de decomposição da democracia persista nava vai ficar de pé, a cultura não vai ficar de pé”, declarou Ferreira.

A mesa contou ao fim com com a composição e participação do artista Renato da Silveira que está com a exposição “A peleja da galera Omô Loldô contra o Condado Brasiliense” no MAB. O artista relatou seu processo de criação das obras e falou também sobre a importância da arte no processo de revolução democrática no mundo. 

“Toda segunda-feira eu mandava uma ilustração minha para um grupo de 50 amigos, pela internet mesmo, a ideia era só compartilhar de forma engraçada como observo os políticos que assumiram o poder e estão dando as cartas após este processo. Até que uma pessoa me mandou um e-mail me perguntando se eu não queria expor essas obras, e com a ajuda de um amigo que faz cordel criamos o título da exposição” explicou  Renato. 

Para Pedro Arcanjo diretor do MAB, o museu vem cumprindo seu papel na busca por estreitar o diálogo com a sociedade. “Frente a onda reacionária que avança no país, mais que nunca não restou outro lugar a nós que não incentivar a inquietação, a reflexão, a crítica, a diversidade”, pontuou Arcanjo. 

A agenda do Comitê de Políticas Culturais no Fórum Social Mundial teve prosseguimento com a posse dos novos conselheiros e conselheiras estaduais de cultura da Bahia durante a tarde desta quarta-feira. 
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