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Conselho Estadual de Cultura

16/03/2018 13:40

Comitê de Políticas Culturais debate Desafios da Lei Cultura Viva no FSM

O Comitê de Políticas Culturais, capitaneado pelo Conselho Estadual de Cultura da Bahia, abriu suas atividades no âmbito do Fórum Social Mundial na manhã desta quinta-feira, 15, no Museu de Arte da Bahia, com uma mesa que debateu os “Desafios da Lei Cultura Viva”. 

Iniciando as intervenções, o presidente do CEC, Emílio Tapioca e a vice-presidente Ana Vaneska, não deixaram de comentar, no entanto, sobre o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes, na noite desta quarta-feira, 14, na cidade do Rio de Janeiro. 

“Hoje é um dia muito triste para nós que somos militantes da cultura e que lutamos por um um país melhor. Ontem a vereadora Marielle Franco, de 38 anos, foi assassinada após deixar um evento intitulado “Jovens negras movendo as estruturas” e cinco dias após denunciar, em seu perfil nas redes sociais, o abuso de poder da Polícia Militar na comunidade de Acari”, destacou Vaneska.
 
Já o presidente do CEC, Emílio Tapioca, defendeu a necessidade de que os movimentos progressistas e os que defendem a democracia tomem uma postura mais assertiva. “Precisamos estar atentos, não só resistir, mas também avançar para conseguirmos transformar o país. Temos que exigir uma investigação clara do que aconteceu com essa vereadora, mulher, negra, que dedicava sua vida as lutas pelas causas sociais”, declarou.

O Comitê decidiu ainda deliberar pela confecção de um manifesto de repúdio contra o fato hediondo. O documento foi divulgado ao fim do dia e pode ser conferido aqui.

DEBATE 
Com mediação de Hélder Bonfim, um dos coordenadores do Fórum de Cultura da Bahia, a mesa que provocou o debate estava composta por Pedro Jatobá, coordenador do iTEIA (Rede Colaborativa de Cultura, Arte e Informação) e Lula Dantas, membro da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura. 

Os desafios de organização e de recursos foram os principais pontos discutidos pela mesa com os presentes. “Como disse Gilberto Gil, se 1% de recursos fossem destinados à cultura, conseguiríamos concertar os problemas das outras áreas que têm 99% de recursos assegurados”, assinalou Bonfim.
 
Em sua fala, Pedro Jatobá explicou que o iTEIA é uma plataforma digital colaborativa voltado à cultura brasileira, onde todos podem acrescentar informações e arquivos, como fotos e vídeos, criando assim um acervo da produção multimídia de centros culturais nacionais e internacionais, além de cadastrar agentes culturais. 

“É preciso fazer um trabalho de base, direcionar os jovens às mídias que não fazem o jogo dos poderosos e promovem vigilância em massa. Valorizar a produção que vem de dentro das comunidades e não enriquecer ainda mais as atuais plataformas de redes sociais” defendeu Jatobá.
 
De forma esmiuçada, Lula Dantas apresentou ao público os dados atuais e os deveres e direitos dos pontos de cultura, além do que defende pode ser melhorado na Lei Cultura Viva. 

Segundo Dantas, a burocracia excessiva é um muro que separa as pessoas das políticas publicas. “Não estou criticando a burocracia, em parte ela é necessária para manter a transparência e a organização, mas ela não pode ser o “x” da questão. Ela precisa cumprir sua função, mas a gente tem que pensar em uma política real, orgânica, que entenda que um mestre de capoeira não vai ter como comprovar a rimba [couro que se coloca no pandeiro] ou algum produto que só tenha na feira” disse.
 
As atividades do Comitê no Fórum tiveram continuidade no turno da tarde com uma mesa abordando o papel dos conselhos de cultura e o projeto do Conselho “Fala Sociedade”.

O Comitê de Políticas Culturais é capitaneado pelo CEC e composto ainda pelo: Movimento Social dos Povos Brasileiros, da Organização Filhos do Mundo, da TV Kirimurê, do Instituto Hori, da Rede Colaborativa de Cultura, Arte e Informação (ITEA), da Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, do Fórum de Cultura da Bahia, do Movimento Verdetrem do Subúrbio Ferroviário de Salvador, da Associação dos Dirigentes Municipais de Cultura, da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, o CEC procurará fortalecer a articulação com e entre os agentes culturais presentes e advindos de todo Estado. 

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