Conselho Estadual de Cultura

19/03/2019 11:10

Nota de pesar pela morte da ex-conselheira Makota Valdina

"Não sou descente de escravos. Eu descendo de seres humanos que foram escravizados"  (Makota Valdina)

O Conselho Estadual de Cultura lamenta profundamente a morte da ex-conselheira Valdina de Oliveira Pinto, mais conhecida como Makota Valdina, na madrugada desta terça-feira, 19, na capital baiana. O corpo da líder religiosa e militante histórica do movimento negro na Bahia é velado no Cemitério Jardim da Saudade e o enterro está previsto para às 15h30.

Nascida em Salvador, no dia 15 de outubro de 1943, Makota faleceu aos 76 anos e era também educadora, líder comunitária, defensora da liberdade de religião, especialmente do candomblé de matriz angolana, ativista ambiental além de escritora e mestra do saber popular. 

O nome Makota designava o posto religioso ocupado por ela no terreiro Nzo Onimboyá, de Nação Angola no Engenho Velho da Federação, se configurando em um tipo de conselheira e assistente da mãe de santo com responsabilidades por cuidar do espaço religioso (equivale às ekedis no candomblé de ketu). 

Em novembro de 2013, Makota lançou sua autobiografia intitulada “Meu Caminhar, Meu Viver”. Sua vida também foi retratada no documentário Makota Valdina - Um jeito Negro de Ser e Viver, que recebeu o primeiro Prêmio Palmares de Comunicação, da Fundação Cultural Palmares, na categoria Programas de Rádio e Vídeo.

Makota Valdina foi conselheira estadual de cultura da Bahia durante as gestões dos secretários de Cultura Márcio Meirelles e Albino Rubim (entre os anos 2007 a 2014). 

Quando da comemoração dos 50 anos do Conselho, em setembro de 2017, Makota Valdina relembrou seu tempo de conselheira e apontou o que considerava os desafios que consideravam estavam postos para a cultura. 

“Durante minha passagem tivemos uma turma muito boa, com uma visão aberta, que pensava a cultura com a cara da Bahia, mais popular e menos elitista. Onde também se procurou ressaltar que a cultura baiana não podia ficar a reboque da representação da cultura soteropolitana e do recôncavo. Inclusive discutindo também os problemas deste tipo de representação, como a 'folclorização' da religiosidade afro-baiana”, disse. 

“O contexto em que começamos a encaminhar estes temas era muito favorável, com um governo que pela primeira vez passou a dar ouvidos as nossas colocações. Hoje o quadro no Brasil nós estamos vendo como está. Então o desafio é grande para que o CEC possa ir encaminhado e implementando iniciativas que ainda precisam se fortalecer”, complementou.

O CEC se solidariza com familiares e amigos neste momento de dor e imensa perda para a cultura baiana.
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