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Conselho Estadual de Cultura

08/06/2018 12:20

CEC aprova tombamento do terreiro Tumba Junsara

O Conselho Estadual de Cultura (CEC) aprovou o processo de tombamento do terreiro Tumba Junsara no bairro do Engenho Velho de Brotas em Salvador em plenária na tarde desta quinta-feira, 7. A concessão de título de Patrimônio Material da Bahia ao sítio, que culta e transmite tradições do candomblé de origem angolana, foi chancelada por unanimidade. 

Vinculado a práticas dos povos de origem Bantu, o Tumba Junsara é uma das casas de Angola mais antigas em atividade na Bahia e irá completar seu centenário em 13 de junho de 2019. O terreiro, que foi inicialmente fundado no município de Santo Amaro da Purificação, ocupa o atual endereço em Salvador desde 1938 e hoje tem como liderança espiritual a “Mameto” Iraildes da Cunha e como presidente da entidade criada para cuidar e defender seus interesses o “Tata” Esmeraldo Emetério.

“O reconhecimento do candomblé de nação angola como patrimônio cultural implica no  entendimento da singularidade de sua gente, na  relevância de suas lutas cotidianas em nossa história cultural, para a preservação da riqueza das formas de viver e de cultuar o reino sagrado. Patrimônio é acima de tudo a valorização das várias lutas de um povo, ao longo das épocas, que se tecem, se fiam, do passado até atualidade” declarou a conselheira Nide Nobre, que elaborou o parecer recomendando a aprovação.

O parecer de Nobre foi amplamente debatido na quarta-feira, 6, no âmbito da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural do Conselho.

“Nos reunimos em dois momentos para conseguir dar andamento a esse processo. O parecer apontava algumas lacunas no dossiê e por isso nos desdobramos para que conseguíssemos ainda nessa plenária realizar a votação com o conjunto dos conselheiros. Tivemos que acionar o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC-BA) para obter mais informações e deliberar de um modo mais criterioso” disse Ana Vaneska, presidente da Câmara e vice-presidente do CEC.

De acordo com o diretor da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural do IPAC, o também conselheiro Roberto Pellegrino, a instrução técnica do processo se deu por meio do recolhimento de informações detalhadas sobre o terreiro, assim como a elaboração de pareceres técnicos e anexos compostos por informações como a iconografia, escritura de propriedade, matérias de jornais e artigos, por exemplo.

“Com este parecer conclusivo e a aprovação do Conselho Estadual de Cultura, em relação ao Terreiro Tumba Junsara, o processo será agora encaminhado à Secretaria de Cultura, sendo em seguida submetido à homologação do Governador do Estado que, estando de acordo, publicará o respectivo Decreto no Diário Oficial do Estado”, disse Roberto Pellegrino.

“O Tumba Jussara já tinha o tombamento provisório e o parecer afirma a necessidade desse tombamento definitivo. Foi um parecer rico em informações e bem minucioso, que lança luz sobre as questões fundiárias que muitos terreiros passam e a partir do qual fica clara a necessidade de um plano de salvaguarda mais elaborado para o Tumba Junsara”, afirmou o conselheiro Mateus Torres, também coordenador de Preservação e Fomento do Centro de Culturas Populares e Identitárias.

O Junsara tem ligado a si mais de 500 terreiros em todo o Brasil. São casas fundadas por “filhos espirituais” dele provenientes. “Elas seguem e praticam as nossas mesmas tradições”, explicou o “Tata” Emetério que acompanhou, junto com outros integrantes do Junsara, a plenária do CEC.
 
“Os terreiros de matriz africana conseguiram sobreviver em meio as piores condições possíveis. A família do Tumba Junsara está de parabéns pelo trabalho que desempenha na preservação da nossa história” declarou o conselheiro Zulu Araújo, também presidente da Fundação Pedro Calmon e que já foi presidente da Fundação Cultural Palmares.

Ao fim da sessão plenária, os conselheiros saudaram os representantes e “filhos” do terreiro que acompanharam a sessão reunindo-se ainda para foto na sala de plenárias do CEC.

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